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ISOTÔNICO DO BOM CERVEJEIRO

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O intenso calor já assola os brasileiros, e a bebida alcoólica mais associada ao verão é, sem dúvida alguma, a cerveja. Mesmo sendo mais consumida no verão, os cativos apreciadores que conhecem os enumerados tipos que se adequam a cada oportunidade, seguem elegendo a cerveja o ano todo. Todavia, atravessando o verão “tropicaliente”, são raros os mortais que conseguem fugir da cerveja.

Não é à toa que na estação dos corpos bronzeados, a sugestão do tipo de cerveja segue à alimentação, ou seja, cervejas e comidas leves. E, quem ousa afirmar que cerveja não hidrata? Hidrata sim!

Primeiramente vamos lembrar da dica da estação, de consumir cervejas leves e refrescantes, com baixa graduação alcoólica, pois uma grande quantidade de álcool desidrata. Não estamos querendo fazer milagres, também! Se bem que, em hipotensos principalmente, uma dose moderada de álcool previne contra doenças cardiovasculares. E, do mesmo modo, a individualidade de cada metabolismo reage diferentemente aos seus efeitos.

O consumo de uma garrafa de cerveja leve, como pilsen (Baden Baden Cristal), de trigo (Baden Badens Weiss e Celebration Verão), ou algumas Ales (Baden Badens Golden e Christmas Beer), pode hidratar mais do que água no pós-exercício. Não te esqueças que a estrutura da cerveja é como tu e o chuchu, todos com cerca de três quartos de água. Em relação à agua, a vantagem de se hidratar com cerveja é que ela possui propriedade hidratantes que ajudam a repor a água perdida pela transpiração, onde os açúcares, os sais, e o gás carbônico favorecem a absorção de fluidos mais rapidamente do que a água pura. E, por falar nisso, a água que tu consomes diariamente não cria um ambiente inóspito, como a cerveja, à microorganismos indesejáveis. Portanto, após aquela caminhada, ou joguinho sob o sol de quarenta graus, nada melhor do que saborear aquele esperto isotônico de malte…

BADEN BADEN TRIPEL: CERVEJÍSSIMA TRINDADE

quinta-feira, 06 de novembro de 2008

Tripel é um estilo de cerveja de alta-fermentação, tradicionalmente desenvolvido pelos monges das abadias belgas, atravessando séculos e se propagando por gerações. Nesse clima misantrópico, muitos segredos são mantidos no interior dessas moradas intransponíveis a cerca das receitas particulares de cada Tripel. Alguns mosteiros mantêm, basicamente, duas receitas: uma para o próprio clero e outra para os visitantes. E, é aí que coabitam os pecados e as virtudes. Bem-aventurados aqueles que dividem o pão com o próximo, e que não diferenciam o alimento que partilham. A vaidade talvez cegue alguns desses homens de Deus (ou de Gambrinus). A gula os invade, trazendo consigo a avareza e a luxúria. Num ambiente misto de inveja e soberba, a virtude da diligência rege a dádiva da vocação cervejeira. Todavia, descobrindo esse tesouro servido em cálice, os arcanjos me indicaram a garrafa negra de cerâmica que contém todos esses mistérios: a Baden Baden Tripel. Existe uma indicação gravada, no que parece ouro, no próprio casco. Permitindo abri-lo, por uma tampa de pressão, que descobrirás o cerne.

Cerveja triplamente fermentada, composta por uma mistura de maltes, onde três tipos prevalecem. E, acredites: 14% de álcool por volume. Seguramente a cerveja mais forte do Brasil. Já, os aromas e sabores culminam após uma maturação extremamente duradoura.

Aparência: Espuma consistente de média formação. Mesmo com pouco volume, o creme permanece cobrindo a cerveja por toda a degustação. Coloração acobreada escura, sendo diáfana.

Pressão: Em função da tripla fermentação a Baden Baden Tripel não poderia deixar de apresentar uma grande pressão anunciada pelo estouro da tampa.

Aroma: Se num perfume o álcool está presente, aqui ele aflora o buquê de uva, e chocolate.

Sabor: Paladar que, seguindo o aroma, desperta o adocicado e reside no sabor de cereais. É incrível, que a pesar da alta graduação alcoólica (14% APV), o sabor forte não é predominante, resultando numa agradável experiência.

Corpo: Boa carbonatação percebida pela língua, e doçura que se sente nas gotas que escapam do cálice. Corpo equilibrado, pois mesmo sendo uma cerveja forte, no gole descobrimos uma textura suave.

Impressão Geral: Cerveja licorosa do mais alto padrão. Potencialmente instigante. Um prazer que deve ser permitido.

Prometidas duas mil e quinhentas garrafas, fico feliz de ter degustado algumas além da minha que apresenta o curioso número 2424 impresso no lacre da tampa. Não conseguiria beber o precioso líquido contido nesse frasco negro se fosse a de número 2500. Espero que não seja esse o princípio do fim…

PREÇO DO PRAZER

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Num país de economia instável, é comum percebermos um consumo impulsivo. Há quem diga: “Desde que eu tenha dinheiro para comprar a minha cervejinha, está tudo bem”. O dilema tange a essa “cervejinha”. Ao longo das matérias que listamos aqui na Sociedade Baden Baden, já chegamos à conclusão de que somos notáveis apreciadores, e que não nos satisfazemos com qualquer cerveja. E, onde isso implica? Diretamente no quesito qualidade, que por sua vez, geralmente, traz um custo maior. Não estamos fazendo apologia à compra de cervejas extremamente dispendiosas, produzidas em cidadezinhas longínquas e sinistras, com ingredientes e métodos enigmáticos… Porém, vamos olhar à volta, e comparar o nosso consumo diário.

Tu já percebeste que nas festas de maior prestígio é comum servirem cerveja com um padrão aquém das outras bebidas como vinhos, espumantes, e uísques? Sem demora percebeste que já foste em almoços festivos, onde os convidados chegavam elegantemente em bons carros, falavam em celulares de primeira linha, e bebiam cerveja de baixa qualidade… Então tu te dás conta de que a maioria das pessoas não evoluiu o paladar e o conhecimento em cerveja, ao passo de todo um consumismo. Voltamos a afirmar que a maioria das pessoas pede uma cerveja, e não: a cerveja. Ninguém entra em um restaurante e pede uma comida! Tu escolhes o prato e a cerveja a ser degustada, não é mesmo? Vamos nos valorizar. Vamos nos permitir momentos prazerosos. Trocaremos a quantidade pela qualidade.

Imagine dois cidadãos, ‘A’ e ‘B’. ‘A’ escolhe pausadamente as suas Baden Badens nas gôndolas de supermercado, enquanto ‘B’, rapidamente pega fardos de promoções de cervejas comuns. Os dois pagam, praticamente o mesmo valor. Em casa, ‘A’ degusta boas cervejas harmonizadas com companhias agradáveis, ao passo que ‘B’ já não sente mais o gosto de sua cerveja a partir do terceiro copo! E, isso não é uma fábula. Se, somos pessoas de bom gosto, a nossa cerveja é um reflexo de nossas escolhas. O valor da cerveja está em nós mesmos. Uma cerveja de qualidade, que custa mais caro sim, ambienta a nossa mesa com todo o seu prestígio. Com uma cerveja de verdade que pesa no copo, que exprime cor e textura, enfim, que tem personalidade, a nossa satisfação é garantida. Tudo tem mais valor. Se, é a bebida do “sorriso no rosto”, abra agora a sua ampola do prazer, e sejas feliz! Mas que sejas bem feliz…

PÃO LÍQUIDO

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Todo apreciador deve conhecer o produto que admira para ser bem-sucedido em suas ações. Torna-se indispensável, então, que tanto eu quanto tu, NOTÁVEIS membros da Sociedade Baden Baden, tenhamos conhecimento sobre cerveja. Na prática, cada um desenvolve preferências particulares, mas a teoria é a mesma. A diferença entre os apreciadores de cerveja – da boa cerveja – na maioria das vezes é o conhecimento. Como degustar produtos qualificativos sem entender suas características? Não dá! Temos que entender o que estamos consumindo. Quem conhece cerveja de verdade não entra num estabelecimento e pede apenas “uma cerveja” - pede “a cerveja”. Com isso, subentende-se que assim como tu escolhes o que vais comer, selecionarás o que beber. Elegi algumas perguntas básicas para iniciarmos o nosso EAD de cerveja!

O que é cerveja?

É uma bebida alcoólica produzida através de fermentação.

Comparada a qualquer bebida, é a terceira mais consumida no mundo, perdendo para a água (solvente universal), e para o chá (principalmente em função de 1,3 bilhão de chineses). No Brasil, é a bebida alcoólica mais consumida.

De que é feita a cerveja?

Basicamente, é composta de água, malte de cevada, e lúpulo. O fermento é indispensável para a fermentação alcoólica. Outros tipos de cereais malteados ou não, especiarias, e adjuntos podem compor uma receita. Em sua composição podem ser encontrados outros produtos que assegurem suas qualidades.

Como é feita a cerveja?

Resumidamente, cozinhamos o malte moído na água (mosturação) controlando a temperatura e a concentração; filtramos o bagaço (clarificação); fervemos (fervura) o mosto e adicionamos o lúpulo (lupulagem); iniciando a sedimentação transferimos o mosto aerado resfriando-o (refrigeração com serpentina, por exemplo); em temperatura adequada agregamos o fermento; na primeira semana o produto ficará fermentando (fermentação); e maturando por um mês (maturação). Após esse processo a cerveja poderá ser filtrada e embalada (envase).

Os insumos, temperaturas, e tempo variam de acordo com a receita. A pasteurização é um processo à parte.

Quais as diferenças entre as cervejas?

Nitidamente notamos que existem cervejas de várias cores e texturas. O que mais influencia na cor da cerveja é a torrefação do malte utilizado. As texturas dependem das quantidades dos insumos. Mas a grande diferença entre as cervejas está na classificação do tipo de fermentação. Divididas em três famílias:

Lambic - fermentação espontânea por fermentos selvagens;

Ale (Alta Fermentação) – fermentação aeróbica (induzida), sob temperaturas mais altas, onde o fermento age na parte superior do tanque;

Lager (Baixa Fermentação) – fermentação anaeróbica (induzida) sob temperaturas mais baixas, onde o fermento age na parte inferior do tanque.

Quais são os tipos de cervejas?

Existem diversos tipos e subtipos de cervejas. Divididos pelas famílias, citamos apenas os exemplos das Baden Baden que temos nas duas maiores famílias:

Alta Fermentação: Stout, Red Ale, Golden (Ale), 1999 (Bitter Ale), Weiss (cerveja de trigo), Celebration Verão (Weiss), Christmas Beer (Ale), Tripel; e

Baixa Fermentação: Bock, Cristal (Pilsen), Celebration Inverno (Double Bock).

É verdade que Jesus brindou a Santa Ceia com cerveja?

Bom, essa pergunta eu deixo para ti responder como lição de casa… Até a volta do telecurso!

NOVOS SABORES PARA EMBALAR NOSSOS AMORES

segunda-feira, 04 de agosto de 2008

 

O meu primeiro gole de cerveja foi aos 13 anos de idade, e não gostei. Se hoje sou um entusiasta apreciador, não devo a essa primeira experiência. Não poderia esperar que um paladar juvenil estivesse apto ao sabor amargo do lúpulo. Claro que não considero essa a primeira ocasião em que realmente bebi cerveja no sentido de evento, pois nela - literalmente - apenas provei. O paladar de uma pessoa é apurado de acordo com o treinamento. Essa mesma sistemática serve para todas as atividades. Quando iniciei a Arquitetura, eu desenhava como uma criança, e o aperfeiçoamento fez com que eu desenvolvesse desenhos que as pessoas dizem ser de Arquiteto. Sempre respondo que, potencializado pela existência, ou não, de talento, é puro treino. Assim, o consumidor de cerveja vai agregando qualidade em suas degustações a ponto de evoluir seu paladar.

Em matéria de cerveja, eu comecei como todo mundo – talvez, salvo raras exceções. Na aurora da minha vida que os anos não trazem mais, eu bebia cerveja pelo álcool, e não pelo sabor. Era uma maneira de perder a timidez frente às garotas… Conseqüentemente, quando já havia dominado a timidez, foi a vez de desenvolver um requinte inventando teses de que a cerveja da marca ‘x’ que eu bebia era melhor do que as dos meus “concorrentes”. Hoje, eu vejo que a tal cerveja era melhor, mas muito pouco. Perto das que consumo atualmente, posso considerar que consumi muita cerveja ruim no passado. Um passado nem tão distante. Sim, o mercado de cervejas especiais no Brasil surgiu ao mesmo tempo que o uso do telefone móvel. Se olhares a tua volta, dificilmente encontrarás alguém que não tenha “celular”, mas ainda existem pessoas que não provaram cervejas especiais. Quero dizer que existem pessoas que não experimentaram cervejas mais elaboradas e que assim, ainda podem apurar seu paladar. Da mesma forma em que não nos acostumamos mais a viver sem a comodidade da telefonia móvel, eu não consigo mais viver sem a minha cerveja especial! Se tu tens “celular” e nunca provaste uma cerveja especial, prove sem medo de se apaixonar. É melhor arriscar uma paixão do que nunca viver um grande amor…