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Gelada, sim. Estúpida, não! (Parte III)

terça-feira, 02 de dezembro de 2008

Tenho um amigo que é completamente louco por panetones. De todos os tipos, sejam eles de frutas cristalizadas, chocolate, nozes, qualquer panetone. Em finais de ano, ele nada em panetone, em braçadas. Mas, em outras épocas, se exaspera porque não acha o produto no mercado para dar vazão à sua fissura. O mercado brasileiro possui uma forte tradição de sazonalidade, sempre ditada pelos hábitos dos consumidores. Os fabricantes deixam de produzir o confeito porque sabem que o brasileiro não vai comprar panetone se não for época de Natal. Assim como o panetone, o mercado cervejeiro acusa grandes baixas nas vendas das maiores marcas em épocas menos quentes.

Por inúmeras vezes já fui questionado acerca das cervejas especiais em relação ao clima quente brasileiro, sobretudo as brejas escuras ou com maior potencial alcoólico. O brasileiro, acostumado a consumir cervejas do tipo Pilsen, sempre considerou que cerveja foi feita “pra refrescar”, e que as cervejas mais “fortes” devem ser consumidas apenas quando o clima esfria. Trata-se, entretanto, de uma meia-verdade. Apenas para exemplificar, o maior consumo per capita de sorvetes é dos países escandinavos, onde o frio é de rachar quase o ano todo. Voltando ao assunto cervejeiro, os inventores do estilo Pilsen são os tchecos, e a República Tcheca está muito longe de ser um paraíso tropical. Por sinal, é lá que está o maior consumo per capita de cervejas no mundo – e a imensa maioria das brejas consumidas é, claro, do estilo Pilsen, seja no verão moderado ou debaixo de nevasca.

Considero que o consumo de cerveja não pode se dar apenas em razão do clima, mas sobretudo pela ocasião na qual se bebe. Concordo que seja inadequado servir uma cerveja muito alcoólica num churrasco à beira da piscina, momento que pede um estilo mais leve – como o Pilsen. Todavia, não podemos nos furtar a degustar uma breja especial mais “forte” ou escura, mesmo no verão, só porque está calor. Mesmo a temperatura escaldante destes trópicos não pode servir de desculpa para não aproveitarmos o que o crescente mercado das cervejas especiais tem a nos oferecer.

Portanto, relaxe, saque aquela Baden Baden Red Ale que você estava guardando no armário e aproveite! De preferência, na sombra…

Até a próxima e boas degustações!

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Para saber mais, acompanhe as partes I e II da série de artigos “Gelada, sim. Estúpida, não!”.

Vermelho sangue

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Eu gosto de vermelho. Uma cor quente, apaixonante. Uma cerveja apaixonante também. Sabem “amor à primeira vista” ?? Então, foi mais ou menos assim que essa cerveja entrou no meu rol das cervejas maravilhosas. Pela cor. E pelo singelo nome também: “Red Ale”. Curto e marcante.

Baden Baden Red Ale

A cerveja em si é maravilhosa. De coloração avermelhada, espuma de ótima duração, e (não se assustem) 9,2 % de teor alcoólico. E muito complexa também. Lúpulo, malte tostado, caramelo, frutado… isso tudo só no aroma. No paladar, malte, leve doce, sensação picante, bom amargor final, tudo isso com bastante equilíbrio. E isso tudo cabe numa só garrafa!!!

Mas mudando ligeiramente de assunto, e partindo da premissa (bonita palavra hein??) de que quem consome Baden Baden, que tal falarmos um pouco sobre doação de sangue?? Até porque, no próximo dia 25 de novembro, é dia do doador de sangue.

Então se você tem entre 18 e 60 anos e mais de 50 kg, que tal fazer uma boa ação?? Não dói nada…

Doação de sangue

Ok, brincadeirinha. Mas não dói nada mesmo. É sério. Então vão lá fazer um favor e doem sangue!!!

Harmonizações Perfeitas - Baden Red Ale e Carpaccio

segunda-feira, 03 de novembro de 2008

A Red Ale figura dentre as minhas prediletas na linha Baden Baden. Apesar do nome, trata-se de uma barley wine, cerveja com notável presença de álcool, malte e neste caso, lúpulo. Ou seja, temos uma cerveja forte, em todos os aspectos.

Escolhi o carpaccio para harmonizar com esta cerveja, pois acredito que o prato, apesar de soar leve, traz elementos de sabor destacado, como a carne crua, o molho à base de alcaparras e mostarda e o queijo parmesão, e por isso, precisa de uma cerveja que não suma perante ele.

Um brinde e bom apetite!

NOVOS SABORES PARA EMBALAR NOSSOS AMORES

segunda-feira, 04 de agosto de 2008

 

O meu primeiro gole de cerveja foi aos 13 anos de idade, e não gostei. Se hoje sou um entusiasta apreciador, não devo a essa primeira experiência. Não poderia esperar que um paladar juvenil estivesse apto ao sabor amargo do lúpulo. Claro que não considero essa a primeira ocasião em que realmente bebi cerveja no sentido de evento, pois nela - literalmente - apenas provei. O paladar de uma pessoa é apurado de acordo com o treinamento. Essa mesma sistemática serve para todas as atividades. Quando iniciei a Arquitetura, eu desenhava como uma criança, e o aperfeiçoamento fez com que eu desenvolvesse desenhos que as pessoas dizem ser de Arquiteto. Sempre respondo que, potencializado pela existência, ou não, de talento, é puro treino. Assim, o consumidor de cerveja vai agregando qualidade em suas degustações a ponto de evoluir seu paladar.

Em matéria de cerveja, eu comecei como todo mundo – talvez, salvo raras exceções. Na aurora da minha vida que os anos não trazem mais, eu bebia cerveja pelo álcool, e não pelo sabor. Era uma maneira de perder a timidez frente às garotas… Conseqüentemente, quando já havia dominado a timidez, foi a vez de desenvolver um requinte inventando teses de que a cerveja da marca ‘x’ que eu bebia era melhor do que as dos meus “concorrentes”. Hoje, eu vejo que a tal cerveja era melhor, mas muito pouco. Perto das que consumo atualmente, posso considerar que consumi muita cerveja ruim no passado. Um passado nem tão distante. Sim, o mercado de cervejas especiais no Brasil surgiu ao mesmo tempo que o uso do telefone móvel. Se olhares a tua volta, dificilmente encontrarás alguém que não tenha “celular”, mas ainda existem pessoas que não provaram cervejas especiais. Quero dizer que existem pessoas que não experimentaram cervejas mais elaboradas e que assim, ainda podem apurar seu paladar. Da mesma forma em que não nos acostumamos mais a viver sem a comodidade da telefonia móvel, eu não consigo mais viver sem a minha cerveja especial! Se tu tens “celular” e nunca provaste uma cerveja especial, prove sem medo de se apaixonar. É melhor arriscar uma paixão do que nunca viver um grande amor…