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BADEN BADEN TRIPEL: CERVEJÍSSIMA TRINDADE

quinta-feira, 06 de novembro de 2008

Tripel é um estilo de cerveja de alta-fermentação, tradicionalmente desenvolvido pelos monges das abadias belgas, atravessando séculos e se propagando por gerações. Nesse clima misantrópico, muitos segredos são mantidos no interior dessas moradas intransponíveis a cerca das receitas particulares de cada Tripel. Alguns mosteiros mantêm, basicamente, duas receitas: uma para o próprio clero e outra para os visitantes. E, é aí que coabitam os pecados e as virtudes. Bem-aventurados aqueles que dividem o pão com o próximo, e que não diferenciam o alimento que partilham. A vaidade talvez cegue alguns desses homens de Deus (ou de Gambrinus). A gula os invade, trazendo consigo a avareza e a luxúria. Num ambiente misto de inveja e soberba, a virtude da diligência rege a dádiva da vocação cervejeira. Todavia, descobrindo esse tesouro servido em cálice, os arcanjos me indicaram a garrafa negra de cerâmica que contém todos esses mistérios: a Baden Baden Tripel. Existe uma indicação gravada, no que parece ouro, no próprio casco. Permitindo abri-lo, por uma tampa de pressão, que descobrirás o cerne.

Cerveja triplamente fermentada, composta por uma mistura de maltes, onde três tipos prevalecem. E, acredites: 14% de álcool por volume. Seguramente a cerveja mais forte do Brasil. Já, os aromas e sabores culminam após uma maturação extremamente duradoura.

Aparência: Espuma consistente de média formação. Mesmo com pouco volume, o creme permanece cobrindo a cerveja por toda a degustação. Coloração acobreada escura, sendo diáfana.

Pressão: Em função da tripla fermentação a Baden Baden Tripel não poderia deixar de apresentar uma grande pressão anunciada pelo estouro da tampa.

Aroma: Se num perfume o álcool está presente, aqui ele aflora o buquê de uva, e chocolate.

Sabor: Paladar que, seguindo o aroma, desperta o adocicado e reside no sabor de cereais. É incrível, que a pesar da alta graduação alcoólica (14% APV), o sabor forte não é predominante, resultando numa agradável experiência.

Corpo: Boa carbonatação percebida pela língua, e doçura que se sente nas gotas que escapam do cálice. Corpo equilibrado, pois mesmo sendo uma cerveja forte, no gole descobrimos uma textura suave.

Impressão Geral: Cerveja licorosa do mais alto padrão. Potencialmente instigante. Um prazer que deve ser permitido.

Prometidas duas mil e quinhentas garrafas, fico feliz de ter degustado algumas além da minha que apresenta o curioso número 2424 impresso no lacre da tampa. Não conseguiria beber o precioso líquido contido nesse frasco negro se fosse a de número 2500. Espero que não seja esse o princípio do fim…