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Avalie a sua cerveja!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Nos lugares onde a cultura cervejeira é mais difundida, a exemplo dos Estados Unidos e da Europa, há diversos sites na internet dedicados à avaliação de cervejas por quem as degusta. Alguns com milhões de usuários cadastrados, a dinâmica é comum entre todos eles: O sujeito toma a cerveja e atribui a ela suas notas e comentários, os quais são lidos por todos.

No Brasil, ousamos criar o mesmo serviço no nosso site BREJAS, que é hoje o maior e melhor Ranking de cervejas no país. Totalmente gratuito, basta ao degustador cadastrar-se e avaliar as centenas de brejas nacionais e gringas que constam no sítio, além de poder incluir as que não estiverem por lá.

Mas o leitor pode perguntar: Qual a importância de avaliar as cervejas que degusto? Há vários bons motivos, mas o principal deles é que o Ranking serve como um canal direto entre o consumidor e o fabricante. Você pode abrir o coração e dizer tudo aquilo que pensa sobre a cerveja que degustou. E acredite, os fabricantes vão te ouvir.

É claro que isso contribui para o círculo virtuoso de crescimento da cultura cervejeira no Brasil, fazendo com que os fabricantes se empenhem cada vez mais em melhorar seus produtos, bem como os varejistas, os quais procurarão adquirir para os seus estoques as brejas com as melhores avaliações. Mas há outros aspectos positivos:

  • Atribuir notas em separado aos diversos aspectos sensoriais de uma breja (aroma, sabor, aparência, sensação) ajuda você a “entender” melhor o que está degustando, servindo para “treinar” cada vez mais o seu paladar;

  • Compartilhar informações com outros degustadores é muito legal e divertido, além de contribuir para a sua própria cultura sobre o assunto;

  • Faz muito tempo que degustou aquela breja deliciosa mas não se lembra mais dela? A solução ideal é tomar outra. Mas, se não estiver com a cerveja à mão, o Ranking lhe lembrará. É possível, também, comparar a mesma cerveja – ou a sua percepção sobre ela – ao longo do tempo e tirar as suas próprias conclusões. Lembre-se que as cervejas, assim como as pessoas, mudam com o tempo;

  • A grana anda curta? Use o Ranking como instrumento de consulta e selecione você mesmo as brejas que o seu bolso lhe permite degustar em razão do custo/benefício;

  • As propagandas sempre falam maravilhas dos seus produtos. Nelas, não há aspectos negativos. Consultar o Ranking põe você em contato com as opiniões – positivas e negativas – de pessoas como você, que querem consumir bem, sem o apelo do marketing;

O Ranking é um espaço absolutamente democrático. Todas as notas têm o mesmo peso, seja a do mestre-cervejeiro ou a do degustador iniciante. Não tenha receio em expor a sua opinião, sem policiamentos ou censuras. Você estará somando cultura e conhecimento, mesmo que outras pessoas eventualmente não concordem com você.

Quer um conselho? Deixe o mundo saber o que você pensa e comece dando as suas notas às cervejas Baden Baden as quais, por sinal, estão muito bem avaliadas no Ranking BREJAS. E divirta-se!

Até a próxima e boas degustações (e avaliações)!

Gelada, sim. Estúpida, não! (Parte III)

terça-feira, 02 de dezembro de 2008

Tenho um amigo que é completamente louco por panetones. De todos os tipos, sejam eles de frutas cristalizadas, chocolate, nozes, qualquer panetone. Em finais de ano, ele nada em panetone, em braçadas. Mas, em outras épocas, se exaspera porque não acha o produto no mercado para dar vazão à sua fissura. O mercado brasileiro possui uma forte tradição de sazonalidade, sempre ditada pelos hábitos dos consumidores. Os fabricantes deixam de produzir o confeito porque sabem que o brasileiro não vai comprar panetone se não for época de Natal. Assim como o panetone, o mercado cervejeiro acusa grandes baixas nas vendas das maiores marcas em épocas menos quentes.

Por inúmeras vezes já fui questionado acerca das cervejas especiais em relação ao clima quente brasileiro, sobretudo as brejas escuras ou com maior potencial alcoólico. O brasileiro, acostumado a consumir cervejas do tipo Pilsen, sempre considerou que cerveja foi feita “pra refrescar”, e que as cervejas mais “fortes” devem ser consumidas apenas quando o clima esfria. Trata-se, entretanto, de uma meia-verdade. Apenas para exemplificar, o maior consumo per capita de sorvetes é dos países escandinavos, onde o frio é de rachar quase o ano todo. Voltando ao assunto cervejeiro, os inventores do estilo Pilsen são os tchecos, e a República Tcheca está muito longe de ser um paraíso tropical. Por sinal, é lá que está o maior consumo per capita de cervejas no mundo – e a imensa maioria das brejas consumidas é, claro, do estilo Pilsen, seja no verão moderado ou debaixo de nevasca.

Considero que o consumo de cerveja não pode se dar apenas em razão do clima, mas sobretudo pela ocasião na qual se bebe. Concordo que seja inadequado servir uma cerveja muito alcoólica num churrasco à beira da piscina, momento que pede um estilo mais leve – como o Pilsen. Todavia, não podemos nos furtar a degustar uma breja especial mais “forte” ou escura, mesmo no verão, só porque está calor. Mesmo a temperatura escaldante destes trópicos não pode servir de desculpa para não aproveitarmos o que o crescente mercado das cervejas especiais tem a nos oferecer.

Portanto, relaxe, saque aquela Baden Baden Red Ale que você estava guardando no armário e aproveite! De preferência, na sombra…

Até a próxima e boas degustações!

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Para saber mais, acompanhe as partes I e II da série de artigos “Gelada, sim. Estúpida, não!”.

O Ouro Negro

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Como já foi amplamente noticiado, a Baden Baden Stout abiscoitou a medalha de ouro no importante European Beer Star 2008, realizado na Alemanha, concurso no qual nada menos que 65 experts em cerveja do mundo todo analisaram 688 brejas dos cinco cantos do globo, pelo método do “teste-cego”. Pra ninguém duvidar da justiça dos campeões…

Mas o que significa a palavra “Stout”, além daquela Baden Baden negra como a noite, com espuma majestosamente alta e marrom e deliciosos aromas e sabores de café e chocolate?

O estilo Stout derivou de outro estilo de cervejas já existente na Inglaterra: o Porter, que era originalmente o preferido pelos carregadores do porto de Londres do século XVII — daí o nome. As características de então das cervejas do estilo Porter já sinalizavam para a “nova” breja: A chamada “Stout Porter” era uma cerveja mais forte e mais escura que as Porters comuns.

Essa bebida maravilhosa vem sendo apreciada há 250 anos pelos ingleses, irlandeses e, a partir do Reino Unido, pelo o resto do mundo. E, pra provar que o planeta dá uma volta por dia, eis que uma Stout genuinamente brasileira cruza novamente o Atlântico — desta vez, fazendo o caminho inverso — e surpreende os próprios criadores do estilo. Os aprendizes, enfim, superam os mestres.

Até a próxima e boas degustações!

A Lei de Pureza da Cerveja

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Imagine-se curtindo uma ressaca de matar. Dor de cabeça, choro e ranger de dentes. E você tem absoluta certeza de que essa ressaca veio de uma cerveja sabidamente muito ruim que você tomou na véspera.

Foi exatamente o mal que acometeu Guilherme IV, duque da Baviera (região alemã onde está Munique), no dia 23 de abril do longínquo ano de 1516, quando assinou a Reinheitsgebot, ou, para os íntimos, a Lei de Pureza da Cerveja, a qual determinava que a breja local só poderia, dali em diante, ser produzida utilizando-se apenas água pura, malte e lúpulo. O fermento, por sua vez, foi incluído nesta lei algum tempo mais tarde, uma vez que ainda não era conhecido.

Guilherme tinha ótimos motivos para radicalizar. Até então, os cervejeiros da Baviera, na tentativa de “inovar” suas receitas, incluíam ingredientes bizarros na cerveja, como fuligem e cal, o que, provavelmente, teria causado a ressaca ducal.

Hoje, muitas cervejarias ainda seguem à risca a Reinheitsgebot, principalmente as alemãs e belgas, o que explica a excelência das brejas produzidas nesses países. No Brasil, várias cervejarias artesanais também compartilham do mesmo ideal de Gulherme, produzindo cervejas de qualidade indiscutível. Destaque seja dado, neste particular, à deliciosa Baden Baden Weiss, breja elaborada em consonância com a lei bávara, com ingredientes selecionados.

Leia a íntegra traduzida da Reinheitsgebot:

“Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro (1) ou uma cabeça (2) de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller (3), sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vende-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro . Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes (4) de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente.”

Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt”

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(1) A caneca da Baviera tinha na época 1,069 litros.
(2) Tigela em forma semicircular para líquidos, com pouco menos de uma caneca de 1 litro.
(3) O Heller geralmente equivale a meio Pfennig
(4) Equivalente a 60 canecas de 1 litro.

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Seja feita, portanto, a vontade do Duque! Até a próxima e boas degustações.

Gelada, sim. Estúpida, não! (Parte II)

segunda-feira, 06 de outubro de 2008

Você conhece o Michael Jackson? Não, não aquele Michael Jackson. O britânico Michael Jakowitz (cujo pai, imigrante lituano, mudou o nome da família para Jackson após estabelecer-se em Yorkshire) ficou mundialmente conhecido em 1977, quando lançou o livro The World Guide to Beer, até hoje uma referência aos cervejeiros do mundo todo. Apelidado de The Beer Hunter (ou “O Caçador de Cervejas”, em virtude do programa homônimo que apresentou durante anos no Discovery Channel), foi considerado o “papa” da cerveja até falecer em agosto de 2007, vítima do Mal de Parkinson – cá entre nós, uma doença não relacionada ao consumo moderado de cerveja…

O Caçador de Cervejas entra nessa história a reboque do meu último post sobre a questão da temperatura correta para beber cerveja. É que Jackson, do alto de sua olímpica sabedoria cervejeira, jamais bebia a sua breja “estupidamente gelada”, hábito que erroneamente se difundiu por aqui. Ao contrário, propunha uma espécie de “escala” de quatro níveis de temperaturas para bem servir e apreciar uma cerveja, estritamente de acordo com o estilo de cada uma. Tudo para se aproveitar adequadamente todos os aromas, sabores e texturas que cada breja pode oferecer, potencializando o prazer do degustador. Vamos a ela:

1. Muito gelada (de 0º a 4° C): Cervejas no estilo Pale Lager, cervejas sem álcool e quaisquer cervejas que tenham como objetivo apenas refrescar, e não de serem degustadas.

2. Bem gelada (de 5º a 7° C): Nessa escala já encontramos cervejas aptas à atividade degustativa. É ideal para brejas do estilo Pilsner ou Weizen (trigo), dentre outras. Nessas temperaturas, as pedidas são as Baden Baden Cristal, Weiss, Golden e Bock.

3. Gelada (de 8º a 12° C): Ideal para cervejas nos estilos Lager (escuras), Pale Ale, Amber Ale, Weiss (escuras), Porter, Helles, Vienna, Tripel e outros. Nessas temperaturas, experimente as Baden Baden Red Ale, Stout, Celebration Inverno e Tripel, sem medo de ser feliz.

4. Temperatura de adega (de 13º a 15° C): Somente para as brejas nos estilos Ale Quadrupel, Strong Ale (escuras), Stout e a maioria das cervejas especiais belgas.

Note que as cervejas mais claras e suaves normalmente são servidas mais geladas, enquanto as mais escuras e mais fortes devem ser servidas em temperaturas maiores. É claro que não se trata de uma regra pétrea. Sequer as escalas de temperatura de Jackson são obrigatórias quando se serve uma breja. Siga-as, ou não.

Todavia, é inegável que as dicas do Beer Hunter são boas orientações, vindas de um cara que realmente entendia do que falava. Tudo depende do gosto de quem bebe, do local de consumo e da proposta do momento. Proibido, de verdade, é deixar de apreciar a boa cerveja.

Até a próxima e boas degustações!

Gelada, sim. Estúpida, não!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Final de uma tarde quente, a garganta seca. Acomodo-me na mesa da choperia e imploro o precioso líquido ao garçom. E rápido, por favor. Em segundos, o copo materializa-se em minha frente. Gelado. Mais que gelado. Absurdamente gelado. Levo aos lábios e percebo que a espuma também está praticamente congelada, parecendo milk shake. Sinto até mesmo os cristais de gelo a entrar-me pela garganta enquanto sirvo o primeiro gole. Sim, matei a minha sede. Mas não senti gosto nenhum. Uma água mineral com gás naquela temperatura enregelante produziria o mesmo efeito, com a vantagem de ser mais barata.

No Brasil, criou-se o mito de que cerveja, para ser bem servida, deve estar “estupidamente gelada”, ao ponto de congelamento. Muitos donos de bares colocam freezers verticais de diversas marcas à vista dos clientes, com termômetros eletrônicos nos quais se anuncia que lá dentro a breja estaria a três, quatro graus negativos (embora se saiba cientificamente que a cerveja vira pedra a -2,5 graus Celsius).

É claro que, nas areias escaldantes das praias brasileiras, num calor de 40 graus, é difícil imaginar beber algo que não seja bem gelado. Todavia, é bom ter em mente (e olha a ciência aí de novo!) que, abaixo de 2 graus Celsius, a temperatura da cerveja é tão fria que amortece as papilas gustativas, as quais são células epiteliais na língua responsáveis pelo sentido do sabor. Portanto, ao beber uma cerveja gelada demais, você pode até se refrescar, mas não sentirá gosto algum. Sem falar que as temperaturas muito baixas desfavorecem a formação da espuma, ou o “colarinho”, do qual já falamos neste post. Como disse um Mestre-Cervejeiro amigo meu, “cerveja estupidamente gelada é coisa de estúpidos”…

Nós, do BREJAS, preferimos consumir um chope (ou cervejas do estilo Pilsen/Pale Lager) em temperaturas que vão de 2 a 5 graus Celsius. Mas a temperatura da cerveja que se vai consumir é determinada por diversos fatores, sobretudo o estilo de cada uma. Pra não me alongar demais, no próximo post falarei mais sobre as temperaturas aliadas a cada estilo, a fim de que você possa absorver todos os aromas e sabores que o mundo cervejeiro tem a lhe oferecer.

Até a próxima e boas degustações!

O creme do colarinho branco

segunda-feira, 01 de setembro de 2008

Há 2000 anos, o escritor Plínio, o Velho, escrevia um curioso relato sobre os hábitos dos povos da Ásia Menor. Dizia ele que as egípcias de então usavam a espuma da cerveja para tornar suas peles mais frescas e claras. Hoje se sabe que a esquisitice tinha fundamento científico: A espuma da cerveja, assim como a própria bebida, contém ácido fosfórico, que favorece o crescimento e manutenção de tecidos celulares saudáveis.

Mesmo com a difusão da cultura cervejeira no país, ainda hoje há quem prefira cerveja ou chope sem espuma (ou creme, como preferem alguns mestres-cervejeiros). Contudo, o hábito de beber cerveja “sem colarinho”, na maioria das vezes, não tem nada de científico ou benéfico. Isso porque o creme retém o aroma da cerveja e evita a rápida dissipação do gás nela contido, bem como o líquido do contato com o oxigênio do ar, o que compromete o sabor da breja. Mas do que é feito o colarinho, esse incompreendido?

A estrutura da espuma é constituída na sua maior parte por proteínas. Uma cerveja com um creme consistente e persistente indica que houve um grande cuidado do cervejeiro em preservar as proteínas do malte para que estas pudessem formar no copo um colarinho de textura suave e delicada. Além dessas proteínas, há também alguns polifenóis derivados do lúpulo que é utilizado para conferir o amargor da breja (já repararam que o creme é ligeiramente mais amargo que o líquido?).

Ao abrirmos a garrafa, libertamos o gás dióxido de carbono existente na cerveja, que até então estava aprisionado em função da pressão interna do recipiente. Deitando o líquido ao copo, as pequenas “células” que continham o gás dentro da garrafa se expandem, uma a uma, juntando-se às outras na superfície, formando o colarinho. Por sua vez, a cerveja contém etanol entre os seus componentes, o qual reduz a tensão superficial do líquido, favorecendo a liberação de bolhas de gás e, conseqüentemente, forma o creme.

Ao contrário, porém, do saber popular, nem toda cerveja tem obrigação de ostentar uma espuma branca e farta, uma vez que há que se levar em consideração vários fatores, como o seu estilo e os ingredientes utilizados em sua fabricação. Uma cerveja do estilo Lambic, por exemplo, não costuma sequer a formar o creme, e essa característica é considerada normal e plenamente aceitável. Da mesma forma, cervejas muito alcoólicas em geral formam pouca espuma, já que o álcool diminui a função estabilizadora das proteínas formadoras do creme normalmente existentes no malte. Ou seja, cada estilo de cerveja tem (ou não) o seu creme característico.

Para formar uma deliciosa e consistente espuma a coroar o topo da sua breja predileta, é fundamental que o copo esteja limpo e sem quaisquer resquícios de gorduras ou detergentes. Tal fato se dá porque os detergentes contém em sua formulação substâncias chamadas de surfactantes, que atuam na superfície do líquido e reduzem a sua tensão superficial, “matando” a espuma. Vai também da habilidade de quem serve a breja. Cada estilo possui um copo especial, que influencia na experiência degustativa. Todavia, em linhas gerais, a regra é sempre deitar o copo a cerca de 45 graus em relação à mesa, derramando a bebida aos poucos até a metade. Após, endireitar o copo e derramar o restante da cerveja.

Dois dedos de espuma são suficientes para cervejas do estilo Pilsen, o mais consumido no Brasil. No bar, há gente que acha que, pelo chope vir com o colarinho, o garçom está a “roubar” do cliente, posto que quanto mais espuma, menos líquido. Depende. Em alguns copos, existe gravado o nível aceitável de líquido, já descontado o volume da espuma. Na maioria dos bares brasileiros, infelizmente isso ainda não existe. Portanto, caso você se sinta lesado, antes de colocar a culpa na espuma em excesso ou mandar descer logo um chope sem colarinho, o melhor a fazer é simplesmente trocar de bar.

Até a próxima e boas degustações!

Escolhendo, Degustando e Avaliando Cervejas

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Antes de começar a falar sobre esse tema, e uma vez que este é o meu post inaugural, eu devo me apresentar. Porém, o termo “eu”, inserido nesse contexto, é um eufemismo destinado a suavizar a carga egoística do monossílabo. “Eu” somos vários. Na verdade faço parte de uma confraria de sete amigos que compartilham um amor: a cerveja. Aqui no Brasil ou em viagens pelo mundo que fazemos a trabalho ou a turismo, nosso hobby é justamente esse: Escolher, degustar e avaliar cervejas. Esse “trabalho” deu origem ao site BREJAS, que reúne hoje um ranking de cervejas com mais de 600 rótulos avaliados.

Decidimos então, como tema desta primeira postagem na Sociedade Baden Baden, dividir com vocês a nossa atividade-hobby, também com a pretensão de auxiliar o apreciador iniciante a começar a se divertir “entendendo” um pouco mais das cervejas chamadas de “especiais” – a exemplo das Baden Baden.

  • A ESCOLHA

A princípio, o degustador deverá avaliar a situação na qual ele consumirá a cerveja. Tudo deve ser considerado em função do “clima”, em ambos os sentidos. Será em casa, sozinho, ou num churrasco com amigos? Está fazendo frio ou calor? Em linhas gerais, cervejas a serem consumidas em grandes quantidades ou em dias quentes devem ser mais “leves”, como as do estilo Pilsen. Cervejas mais “fortes”, com graduação alcoólica mais elevada, são especialmente destinadas à degustação em menores quantidades, e são indicadas para consumo em dias mais frios. Ao comprar, portanto, atente primeiramente aos rótulos das cervejas. Neles, em geral, se encontrarão informações fundamentais na escolha, como o estilo da cerveja, sua graduação alcoólica, a temperatura indicada para o consumo e até dicas de harmonização, como é o caso das cervejas Baden Baden.

  • A DEGUSTAÇÃO

Aqui começa a “brincadeira”, uma vez que os seus atributos sensoriais são aguçados e postos à prova. Tudo se inicia pela visão, na avaliação da aparência da cerveja. É o seu primeiro contato com ela, antes mesmo de deitá-la no copo. Apresente-se à breja e deixe que ela comece a te contar de onde ela veio e a sua história, através do seu rótulo. Já servida, observe a sua cor, a textura do líquido e a aparência e a durabilidade do creme, na inteligência de que cremes mais espessos, de bolhas menores e mais duradouras geralmente significam cervejas melhores. Isso feito, antes de beber, aproxime o nariz da borda do copo e sinta o que, talvez, seja uma das mais complexas características da cerveja: O aroma. É nele que você sente aquele gosto floral, cítrico, de malte, cravo… Dependendo da complexidade da cerveja, as sensações são infinitas, e refletem o que está contido na sua memória olfativa. Aprender a captar o aroma de uma cerveja é uma arte que requer muito treino. Quer começar a ficar íntimo da breja? Sorva o primeiro gole, deixando que a cerveja “passeie” por toda a boca e língua. Analise se é uma cerveja ácida, amarga, doce ou azeda, bem como a duração de cada um destes aspectos na sua boca. Já chamando a breja de “você”, é tempo de avaliar as sensações na boca, o corpo, a textura, a carbonatação e o gosto final e retrogosto (chamado de “aftertaste”) que permanece na boca após tomá-la.

  • A AVALIAÇÃO

Nós, do BREJAS, gostamos de conferir notas às cervejas que degustamos. Para tanto, utilizamos como regra um sistema que avalia cada aspecto da cerveja em separado, conferindo mais precisão e fidelidade ao julgamento. Contudo, trata-se de uma característica pessoal. Dar nota à cerveja que se bebe pode não ser a sua onda, e conhecemos inúmeros bons degustadores de cervejas que não se preocupam com esse aspecto. De qualquer forma, tenha em mente um fator fundamental: Toda cerveja tem de estar inserida dentro de um estilo definido. No Brasil, o mais utilizado guia de definição de estilos de cerveja é o do Beer Judge Certification Program (BJCP), que descreve detalhadamente o que podemos encontrar em cada um dos inúmeros estilos já criados no tocante a aroma, aparência, sabor, paladar, ingredientes e várias outras informações. Ou seja, dando nota ou não à sua cerveja, certifique-se, após a degustação, se ela está dentro do estilo que o rótulo propôs.

Estas são, em linhas gerais e resumidas, as principais orientações para quem quer começar a se aventurar no fascinante mundo da degustação de cervejas. Agregue a isso muita leitura sobre o assunto e, claro, muita cerveja para degustar. O mercado brasileiro está cada vez mais pródigo em excelentes cervejas de diferentes estilos -– as Baden Baden estão aí e não nos deixam mentir. Aproveite esse momento!

Até a próxima e boas degustações!