Posts Tagged ‘Baden Baden’

Gelada, sim. Estúpida, não!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Final de uma tarde quente, a garganta seca. Acomodo-me na mesa da choperia e imploro o precioso líquido ao garçom. E rápido, por favor. Em segundos, o copo materializa-se em minha frente. Gelado. Mais que gelado. Absurdamente gelado. Levo aos lábios e percebo que a espuma também está praticamente congelada, parecendo milk shake. Sinto até mesmo os cristais de gelo a entrar-me pela garganta enquanto sirvo o primeiro gole. Sim, matei a minha sede. Mas não senti gosto nenhum. Uma água mineral com gás naquela temperatura enregelante produziria o mesmo efeito, com a vantagem de ser mais barata.

No Brasil, criou-se o mito de que cerveja, para ser bem servida, deve estar “estupidamente gelada”, ao ponto de congelamento. Muitos donos de bares colocam freezers verticais de diversas marcas à vista dos clientes, com termômetros eletrônicos nos quais se anuncia que lá dentro a breja estaria a três, quatro graus negativos (embora se saiba cientificamente que a cerveja vira pedra a -2,5 graus Celsius).

É claro que, nas areias escaldantes das praias brasileiras, num calor de 40 graus, é difícil imaginar beber algo que não seja bem gelado. Todavia, é bom ter em mente (e olha a ciência aí de novo!) que, abaixo de 2 graus Celsius, a temperatura da cerveja é tão fria que amortece as papilas gustativas, as quais são células epiteliais na língua responsáveis pelo sentido do sabor. Portanto, ao beber uma cerveja gelada demais, você pode até se refrescar, mas não sentirá gosto algum. Sem falar que as temperaturas muito baixas desfavorecem a formação da espuma, ou o “colarinho”, do qual já falamos neste post. Como disse um Mestre-Cervejeiro amigo meu, “cerveja estupidamente gelada é coisa de estúpidos”…

Nós, do BREJAS, preferimos consumir um chope (ou cervejas do estilo Pilsen/Pale Lager) em temperaturas que vão de 2 a 5 graus Celsius. Mas a temperatura da cerveja que se vai consumir é determinada por diversos fatores, sobretudo o estilo de cada uma. Pra não me alongar demais, no próximo post falarei mais sobre as temperaturas aliadas a cada estilo, a fim de que você possa absorver todos os aromas e sabores que o mundo cervejeiro tem a lhe oferecer.

Até a próxima e boas degustações!

Cerveja na cozinha

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Muitos que conhecem meu trabalho no Edu Passarelli Recomenda certamente já leram, e espero que prepararam, minhas harmonizações com cervejas. Mas e a cerveja como ingrediente, vai bem?

Sim, a cerveja é um ótimo agente de sabor para a gastronomia, e além de sabor, apresenta outras características de grande valia para as suas receitas.

Primeiro devemos saber escolher as cervejas a serem usadas na cozinha. As mais lupuladas e as refermentadas na garrafa tendem a deixar sabores extremamente amargos, e, portanto, não são recomendadas.

Também temos que atentar para os ingredientes do prato. Carnes, por exemplo, pedem cervejas com maltes torrados e caramelizados. Peixes e aves, as com coloração mais clara. Quando temos ervas no tempero, não devemos usar cervejas de paladar acentuado, para não haver conflito de sabores.

Uma dica importante é sempre cozinhar com a panela destampada, para que o álcool possa evaporar por completo.

Abaixo reproduzo uma receita de minha autoria, derivada de um prato clássico italiano. E você, caro leitor, tem alguma boa dica para nos dar?

Saltimboca do Cervejeiro

Ingredientes
4 escalopes de filé mignon
4 fatias de presunto cru, no mesmo tamanho dos escalopes
8 folhas grandes de sálvia
50g de manteiga sem sal
200ml de cerveja lager clara
Sal e pimenta-do-reino
Farinha de trigo para empanar

Preparo
Tempere os filés com sal e pimenta. Cuidado com o sal, pois o presunto já é salgado. Coloque duas folhas de sálvia em cima de cada escalope e cubra com o presunto. Dobre, deixando o recheio ao meio, e prenda com um palito. Passe os filés na farinha de trigo e bata bem, para tirar os excessos. Em uma frigideira funda, aqueça a manteiga e frite os filés, em ambos os lados. Acrescente a cerveja e deixe cozinhar por 5 minutos. Nesta versão, sirva sem o molho.

Olímpica

segunda-feira, 08 de setembro de 2008

Pois é… Olimpíadas recém terminadas, o Phelps na natação, ganhando tudo e batendo recordes e mais recordes, o Bolt, da Jamaica, sendo o homem mais rápido do mundo, e o Brasil, que em minha opinião, ficou um pouco aquém do esperadoem relação a algumas medalhas de ouro. Aliás, tem alguém que assistiu a tudo nesses Jogos?? Como acordo cedo, ainda dava para pegar algumas disputas, mas esse horário foi triste hein?? Mas o assunto não é esse…

Estava pensando aqui. Só de participar de um evento desses, deve ser uma glória. Acho que deve ser o sonho de qualquer atleta paticipar de uma Olimpíada, entrar num estádio olímpico lotado (se arrepia só de ver pela televisão, imaginem ali, ao vivo e a cores… mesmo com toda essa história de fogos de artifício fajutos, feito por computadores, ou o playback da menina na abertura… mas isso também é outra história), levando a bandeira do seu País, ou simplesmente desfilando junto com toda a delegação… Imagina participar e ganhar uma medalha.

Agora imaginem participar e ganhar uma medalha de ouro. Deve ser uma sensação indescritível. O mundo todo de olho em você, ouvir o hino nacional tocando, a bandeira tremulando… Mas não sou atleta. Tão pouco participarei de uma Olimpíada, mas tenho cá minha medalha de ouro: a Baden Baden Golden Ale.

Como o próprio nome diz, essa cerveja é o ouro, ou melhor, tem a cor do ouro. Mas não é só isso. Ótima cerveja, bastante aromática, frutada no paladar, um sabor doce, delicado, mas de bastante personalidade, além de ser bastante refrescante. É uma cerveja realmente especial, com uma linda espuma cobrindo tudo isso.

Uma cerveja digna de subir no lugar mais alto do pódio. De ostentar uma medalha de ouro. Assim como é sua cor.

Baden Baden Weiss

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O estilo Weissbier ficou esquecido durante muitos anos na Alemanha. Há alguns anos voltou a ser fabricado por diversas cervejarias, e hoje é quase uma “marca registrada” da Bavária. Aqui rapidamente conquistou o paladar do brasileiro, talvez por suas características refrescantes, por seus belos copos, ritual de serviço…

Suas principais características são, além da presença do malte de trigo na composição, aroma fenólico (cravo) e de ésteres (banana), sabor também de cravo e banana, doce proveniente de malte, pão, e em alguns casos, tutti-frutti. Não se espera alto amargor nem aroma de lúpulo. As Hefe-weiss, as mais conhecidas, não são filtradas e costumam apresentar turbidez, devido à presença de levedura no liquido. Alta carbonatação, textura cremosa e um leve picante completam as sensações do estilo.

Por se tratar de um estilo de origem alemã, ele normalmente segue a Reinheitsgebot (Lei de Pureza Alemã), que só permite malte, lúpulo, água e levedura na composição da cerveja.

No ultimo mês de julho a Baden Baden lançou a sua versão Weiss. Acondicionada na tradicional garrafa da marca, de 600 ml, e com um belo copo, a Baden Weiss chega para a linha permanente da cervejaria. Ela possui 5,4% de teor alcoólico, espuma densa e duradoura, coloração dourada e opaca. Aroma com banana, pão e cravo. No paladar, banana, malte, leve picante, leve acidez, cremosa, intensa carbonatação e final com leve doce.

Quando se trata de harmonizações com gastronomia, o estilo Weiss é dos mais versáteis. Mas sobre isso, falaremos em outra oportunidade! Até lá!

Começando…

quinta-feira, 07 de agosto de 2008

E ai, como estão vocês??? Espero que tudo bem…

Bom, antes de começar, melhor me apresentar, afinal não foi essa a educação que tive…

Meu nome é Rodrigo, não tenho nenhum apelido, mas tenho um nome indígena: “Aquele que há trocentos anos gosta de cerveja e mulher”… valeu Carol!!! Mas podem me chamar de Rodrigo mesmo!!! Ah, e além de escrever por aqui, tenho um outro blog, o Hummmm, cerveja!!!!!

As minhas primeiras experiências com cerveja datam do final da década de 80, começo da de 90, quando tinha uns 9, 10 anos (precoce, não???). Naquela época, morava em São Paulo. Meu pai era diretor de um clube, o Esporte Clube Banespa, ou seja, nossos finais de semana já tinha um destino!! O cardápio é o de toda criança: batata-frita, hamburgueres, sorvete, refrigerante… e cerveja!!! Calma que eu explico.

Naqueles dourados tempos, sempre pedia a “espuminha” da cerveja para o meu pai. E ele dava. E eu achava horrível, muito amarga. Mas bastava passar o gosto que eu já estava lá novamente: “pai, me dá a espuminha??”

Mas minha experiência verdadeira foi durante a Copa de 94. Não me lembro a data exata, mas foi durante uma festa junina do prédio que eu morava. Mais ou menos nessa época, havia começado minha coleção de latinhas de cerveja (acho que todo mundo começa assim, ou não??) Mexendo na fogueira (sempre gostei de brincar com fogo), soltando bombinhas, dançando a quadrilha, comendo pipoca, bebendo refrigerante, até que vi uma latinha de cerveja. Era comemorativa daquela Copa. “Meu pai não bebe essa cerveja”, pensei, “acho que vou ter que tomar sozinho”… e tomei!!! Óbvio que não gostei, nem tinha idade para isso, mas tudo pela coleção!!

O tempo passou, mudei de cidade (fui morar em Franca, interior de São Paulo, onde resido atualmente), mudei de amigos (alguns ainda consegui manter), mudei de hábitos também. Foram muitas mudanças. Mesmo!! Uma dessas, foi o hábito de tomar uma cervejinha, adquirido com alguns amigos. Estava no 3º colegial. Devia ter uns 17 anos, mais ou menos.

Na faculdade então, nem se fala. Praticamente fiz uma outra graduação, mas desta vez em cerveja. Tudo era motivo para beber uma gelada: festas, churrascos, nas vitórias ou derrotas nos campeonatos de futebol, final de provas… Algumas boas cervejas, outras nem tanto, mas mesmo assim era cerveja. E o tempo passou.

Numa viagem para São Paulo, conheci uma cerveja diferente de todas aquelas que tinha experimentado até então, numa garrafa diferente, um rótulo bonito… Sim, por coincidência, minha primeira cerveja “diferente” foi uma Baden Baden (mas depois conto essa história). Resumindo, um novo mundo se abriu pra mim. E agora estou aqui, tendo a honra e o privilégio, de junto com mais 4 mosqueteiros, compartilhar algumas histórias, experiências e, claro, cervejas com todos vocês. Bom, acho que é isso. Espero que gostem!!!

Depois eu volto paracontinuar batendo um papo com vocês. Com muita Baden Baden, é claro!!

Então ficamos assim. Um abraço para todos. E saúde!!!

NOVOS SABORES PARA EMBALAR NOSSOS AMORES

segunda-feira, 04 de agosto de 2008

 

O meu primeiro gole de cerveja foi aos 13 anos de idade, e não gostei. Se hoje sou um entusiasta apreciador, não devo a essa primeira experiência. Não poderia esperar que um paladar juvenil estivesse apto ao sabor amargo do lúpulo. Claro que não considero essa a primeira ocasião em que realmente bebi cerveja no sentido de evento, pois nela - literalmente - apenas provei. O paladar de uma pessoa é apurado de acordo com o treinamento. Essa mesma sistemática serve para todas as atividades. Quando iniciei a Arquitetura, eu desenhava como uma criança, e o aperfeiçoamento fez com que eu desenvolvesse desenhos que as pessoas dizem ser de Arquiteto. Sempre respondo que, potencializado pela existência, ou não, de talento, é puro treino. Assim, o consumidor de cerveja vai agregando qualidade em suas degustações a ponto de evoluir seu paladar.

Em matéria de cerveja, eu comecei como todo mundo – talvez, salvo raras exceções. Na aurora da minha vida que os anos não trazem mais, eu bebia cerveja pelo álcool, e não pelo sabor. Era uma maneira de perder a timidez frente às garotas… Conseqüentemente, quando já havia dominado a timidez, foi a vez de desenvolver um requinte inventando teses de que a cerveja da marca ‘x’ que eu bebia era melhor do que as dos meus “concorrentes”. Hoje, eu vejo que a tal cerveja era melhor, mas muito pouco. Perto das que consumo atualmente, posso considerar que consumi muita cerveja ruim no passado. Um passado nem tão distante. Sim, o mercado de cervejas especiais no Brasil surgiu ao mesmo tempo que o uso do telefone móvel. Se olhares a tua volta, dificilmente encontrarás alguém que não tenha “celular”, mas ainda existem pessoas que não provaram cervejas especiais. Quero dizer que existem pessoas que não experimentaram cervejas mais elaboradas e que assim, ainda podem apurar seu paladar. Da mesma forma em que não nos acostumamos mais a viver sem a comodidade da telefonia móvel, eu não consigo mais viver sem a minha cerveja especial! Se tu tens “celular” e nunca provaste uma cerveja especial, prove sem medo de se apaixonar. É melhor arriscar uma paixão do que nunca viver um grande amor…