Gelada, sim. Estúpida, não! (Parte III)

Tenho um amigo que é completamente louco por panetones. De todos os tipos, sejam eles de frutas cristalizadas, chocolate, nozes, qualquer panetone. Em finais de ano, ele nada em panetone, em braçadas. Mas, em outras épocas, se exaspera porque não acha o produto no mercado para dar vazão à sua fissura. O mercado brasileiro possui uma forte tradição de sazonalidade, sempre ditada pelos hábitos dos consumidores. Os fabricantes deixam de produzir o confeito porque sabem que o brasileiro não vai comprar panetone se não for época de Natal. Assim como o panetone, o mercado cervejeiro acusa grandes baixas nas vendas das maiores marcas em épocas menos quentes.

Por inúmeras vezes já fui questionado acerca das cervejas especiais em relação ao clima quente brasileiro, sobretudo as brejas escuras ou com maior potencial alcoólico. O brasileiro, acostumado a consumir cervejas do tipo Pilsen, sempre considerou que cerveja foi feita “pra refrescar”, e que as cervejas mais “fortes” devem ser consumidas apenas quando o clima esfria. Trata-se, entretanto, de uma meia-verdade. Apenas para exemplificar, o maior consumo per capita de sorvetes é dos países escandinavos, onde o frio é de rachar quase o ano todo. Voltando ao assunto cervejeiro, os inventores do estilo Pilsen são os tchecos, e a República Tcheca está muito longe de ser um paraíso tropical. Por sinal, é lá que está o maior consumo per capita de cervejas no mundo – e a imensa maioria das brejas consumidas é, claro, do estilo Pilsen, seja no verão moderado ou debaixo de nevasca.

Considero que o consumo de cerveja não pode se dar apenas em razão do clima, mas sobretudo pela ocasião na qual se bebe. Concordo que seja inadequado servir uma cerveja muito alcoólica num churrasco à beira da piscina, momento que pede um estilo mais leve – como o Pilsen. Todavia, não podemos nos furtar a degustar uma breja especial mais “forte” ou escura, mesmo no verão, só porque está calor. Mesmo a temperatura escaldante destes trópicos não pode servir de desculpa para não aproveitarmos o que o crescente mercado das cervejas especiais tem a nos oferecer.

Portanto, relaxe, saque aquela Baden Baden Red Ale que você estava guardando no armário e aproveite! De preferência, na sombra…

Até a próxima e boas degustações!

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Para saber mais, acompanhe as partes I e II da série de artigos “Gelada, sim. Estúpida, não!”.

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4 respostas to “Gelada, sim. Estúpida, não! (Parte III)”

  1. David Jr (Ituverava-sp) Says:

    Otimo artigo, parabéns

  2. julio Says:

    Cara em primeiro lugar parabens pelo site, sou de Manaus/Am, e aqui vc deve saber a temperatura e de 35 a 44 graus entao so mesmo uma boa cerveja gelada pra matar esse calor, mas minha pergunta e a seguinte:

    vejo nos filmes aqueles pubs londrinos cervindo cerveja , elas sao em temperatura ambiente (pelo menos aparenta ser isso nos filmes) ou sao servidas geladas iguais as nossas aqui no brasil, pois um amigo meu que mora na inglaterra me disse que la ela e servida em temperatura ambiente , que seria considerada “quente” para nos brasileiros , isso e verdade??

  3. Mauricio (BREJAS) Says:

    Julio,

    As cervejas nos pubs ingleses são servidas, na maioria das vezes, em temperaturas de 6 a 12 graus, aproximadamente. Não chega a ser a temperatura ambiente, mas não é geladíssima como as nossas aqui.

    Isso tem muito a ver com os estilos das cervejas que eles tomam (que são, em geral, muito mais amargos que as nossas). Para cada estilo, uma temperatura apropriada de servir. Então, na maioria das vezes, eles estão corretos.

    Nós é que estamos errados em beber cervejas “estupidamente geladas” só porque aqui é calor. Cerveja não foi feita só pra refrescar, certo?

    Meu conselho: Se for só pra refrescar, prefira um belo sorvete ou água mineral bem gelada.

    Um abração.

  4. eduardo Says:

    Onde compro uma baden baden em Manaus? Já procurei e nao acho. Fui à SJC recentemente, e parece que elas sumiram dos supermercados lá tbm!

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